Guia de cuidados básicos do Gatinho e do Gato

1º Dia

Gatinho

Chegou mais um elemento à sua família.
Antes de mais, é necessário determinar na sua casa, qual o local onde o animal irá dormir, onde será colocada a água e a comida e ainda onde deve fazer as suas necessidades.
Todos os membros da família devem fazer um esforço de adaptação ao novo elemento. É fundamental que cada um disponibilize uns momentos do seu dia para conviver alegremente com ele.
Para uma boa integração social é fundamental que os primeiros dias sejam repletos de mimos e brincadeiras e que todo o ambiente em seu redor seja calmo e acolhedor. Nesta fase de adaptação devem evitar-se repreensões e o contacto com outros animais deve ser atentamente vigiado.

Alimentação

Na fase de crescimento é essencial habituar o seu animal a comer ração. Esta deve ser escolhida de acordo com a etapa da vida, características e necessidades do animal. Só este tipo de alimentação garante um pleno equilíbrio nutricional, uma maior higiene oral e um desenvolvimento saudável.
A alimentação deve ser deixada à disposição do animal, para que ele coma sempre que sente necessidade. Apenas será necessário restringir as refeições, caso o animal, já na idade adulta, engorde exageradamente (Nota: O animal é considerado adulto após atingir 1 ano de idade.)
A água deve estar sempre à disposição e deve ser mudada regularmente, para que o animal tenha sempre acesso a água fresca.
A alimentação nunca deve ser colocada perto do cesto da areia.
Nunca deve alterar repentinamente o tipo de ração fornecida ao seu animal. Deverá escolher uma ração que o animal goste e manter essa alimentação durante toda a fase de crescimento. Ao atingir 1 ano de idade, o animal deverá passar a comer ração para gato adulto. Nessa altura deverá fazer durante 5 dias a mistura de ambas as rações, para que o intestino do animal tenha tempo de se adaptar ao novo alimento. Esta regra é válida para qualquer mudança de ração. A partir dos 7 anos de idade, o animal deverá passar a comer ração especialmente desenvolvida para animais geriátricos (animais velhinhos) uma vez que este alimento possui características que visam evitar insuficiência renal e outros problemas frequentes em animais idosos.

Deverá evitar ao máximo que o animal tenha acesso à rua sozinho, uma vez que o ambiente exterior é extremamente perigoso para o seu animal. Este local constitui um campo de batalha, onde ele terá que se defender de agressões de outros gatos, de automóveis e é ainda um ambiente onde pode contrair várias doenças, algumas delas incuráveis.
Quando o animal não tem acesso ao exterior ou quando passa bastante tempo seguido no interior, deverá colocar num local sossegado da casa, o caixote de areia. A areia escolhida deverá ser de sílica, uma vez que têm uma maior durabilidade, absorvem mais facilmente os odores e não levantam poeiras, evitando deste modo infecções respiratórias.
A areia deverá ser mudada frequentemente. Muitas vezes, os gatos começam a fazer as suas necessidades em locais inapropriados devido à falta de higiene da caixa de areia.

Higiene

Pode dar banho ao seu animal sempre que este necessitar. No entanto, a escolha do champô deve ser adequada à idade do animal. Deve usar-se champô seco para gatinhos com idade inferior a 6 meses e champô fisiológico sem desparasitante externo para gatos com idade superior a 6 meses. Poderá também optar por utilizar um champô de tratamento para corrigir algum problema de pele que o animal possa ter.
Durante o banho deve evitar que o champô entre em contacto com os olhos do animal e que a água entre para os seus ouvidos. No final, este deve ser enxaguado abundantemente com água e bem seco com um secador, principalmente enquanto este é gatinho ou em dias frios e ventosos. A frequência de banhos nos gatos, geralmente é reduzida devido aos cuidados de limpeza que eles próprios tem.
ATENÇÃO: Gatos de pêlo comprido devem tomar regularmente malta, para degradar as bolas de pêlo (acumulações de pêlo dentro do intestino do animal).
É fundamental escovar regularmente gatos de pêlo comprido.
Semanalmente, deve também ser efectuada a limpeza dos ouvidos com uma compressa ou um pano seco.

Desparasitação Externa

Na natureza existem vários parasitas e insectos que estão permanentemente à procura de um alvo (um animal onde se possam alimentar e/ou instalar). No entanto, o animal que “acolhe” estes parasitas (como as carraças e pulgas) começa desde cedo a coçar-se, pode desenvolver problemas alérgicos ou até mesmo contrair graves doenças que o podem conduzir à morte.
Para evitar todos estes problemas e manter toda a vossa família protegida, deverá desparasitar o animal frequentemente. Para este efeito pode utilizar coleiras insecticidas, sprays ou pipetas. Tenha sempre o cuidado de escolher um produto que seja realmente eficaz e verifique sempre durante quanto tempo faz efeito.
Atenção: Os produtos para dar banho que matam as pulgas e as carraças têm apenas efeito naquele momento. Não protegem eficazmente o seu animal.

Desparasitação Interna

Todos os gatinhos nascem com parasitas intestinais (lombrigas) que lhe são transmitidas enquanto este está na barriga da mãe. Por este motivo, devem ser desparasitados pela primeira vez, quando têm 15 dias de idade. As desparasitações devem ser continuadas de 15 dias em 15 dias, até ao animal ter 3 meses de idade. Seguidamente, deve ser desparasitado mensalmente até este ter 6 meses. A partir desta altura, o animal deve ser desparasitado de 3 em 3 meses durante toda a sua vida. Caso possua mais que um animal, todos deverão ser desparasitados na mesma data.
A própria família deve seguir um calendário de desparasitação e tentá-lo fazer coincidir com o do animal.

Vacinação

Para proteger o animal das suas principais doenças víricas e bacterianas, deverá efectuar regularmente a sua vacinação.
Caso possua um gatinho, a sua primeira vacina deverá ser efectuada quando este possui 2 meses de idade. Esta primeira vacina faz com que ele comece a criar as suas próprias defesas contra a Rinotraqueite, Calicivirose e Panleucopenia (principais doenças que afectam os gatinhos). Aos 3 meses de idade deve ser feito o reforço desta vacina. Deverá também tomar a vacina para o proteger da leucemia felina (doença semelhante à SIDA), principalmente quando tem acesso à rua ou quando contacta com outros gatos. Esta vacina também necessita de um reforço com 1 mês de intervalo.
Pode ainda dar ao seu gato a vacina da Raiva, obrigatória por lei e imprescindível caso pretenda levar o animal para o estrangeiro.
Após estas primeiras vacinas, o animal apenas necessita de uma vacinação anual contra todas estas doenças.
Os gatos adultos que nunca foram vacinados seguem o mesmo programa vacinal que um gatinho.

(No final do guia, encontra-se uma breve descrição de cada uma das doenças aqui mencionadas.)

Educação

Com o passar dos dias, o seu animal irá sentir-se cada vez mais em família.
Quanto mais tempo o animal passar dentro de casa, mais comportamentos de afecto demonstrará perante o dono. Cada vez mais, o gato reage às atitudes do dono. A ideia de que o gato apenas se afeiçoa à casa, começa a ter as suas variantes.
Por este motivo, é importante que dispense alguns momentos do seu dia para brincar com o seu gato, afagá-lo e escová-lo, principalmente se for um gato de pêlo comprido.
Deverá também arranjar-lhe troncos rodeados de corda para que o gatinho possa espetar as unhas e fazer a sua marcação de território através das almofadinhas plantares.

O ronronar é o sinal utilizado pelo gato para demonstrar a sua satisfação.

Identificação Electrónica

O microchip (identificação electrónica) pode ser colocado em qualquer animal, independentemente da raça e da idade. Este é introduzido através da pele e nessa mesma altura é preenchido um impresso (em quadruplicado) com as características do animal, identificação do proprietário e do veterinário. O proprietário fica com dois impressos. Um 3º impresso é enviado para o SIRA (Sistema de Identificação e Recuperação Animal – 213 430 661) e um 4º fica na posse do médico veterinário.
Qualquer alteração da morada, n.º de telefone, mudança de dono, perda ou morte deve ser imediatamente comunicada ao SIRA.
Este é o modo mais eficaz de comprovar que o animal lhe pertence e o único meio de alguém entrar em contacto consigo caso o seu animal se perca.

Viagens

Quando decidir viajar deve verificar se possui todo o material e documentação necessária.
Para viagens dentro do país, deve sempre transportar o animal dentro de uma transportadora (caixa própria para o animal viajar). Este modo é mais seguro para o condutor e para o animal.
NUNCA deixe o seu animal fechado no carro em dias de sol intenso. Um curto período de tempo é suficiente para fazer com que o animal aqueça exageradamente e morra devido ao calor excessivo (golpe de calor).
Se pretender deslocar-se para o estrangeiro deverá ainda verificar se o animal está correctamente vacinado contra a Raiva, possui identificação electrónica (microchip) e passaporte.

Sinais de Alerta

À mínima suspeita de que o seu animal está a começar a ficar doente contacte o mais rápido possível os técnicos da área de saúde animal. Estes primeiros sinais podem incluir: apatia, falta de apetite, vómitos, diarreia, tosse, obstipação, corrimento ocular, nasal e vaginal, alteração da cor da urina e das fezes, aparecimento de lesões na pele, falta de pêlo, entre muitos outros.
A espera demasiada pode conduzir o animal a um estado de tal maneira grave que impossibilite a eficácia dos mais actuais métodos de tratamento.

Maturidade sexual

Os gatos atingem a sua maturidade sexual entre os 6 e os 12 meses.
Nesta altura, as fêmeas apresentarão pela primeira vez cio. Este surge normalmente a primeira vez, quando as horas de luz aumentam de um dia para o outro (entre Janeiro e Junho). Durante esta altura a gata começa a miar e a esfregar o corpo contra objectos ou mesmo contra outros animais mais do que o habitual e terá mais tendência a sair de casa. A sua urina toma um odor mais intenso, permitindo aos machos detectar que a fêmea está em cio.
Caso a fêmea não encontre um parceiro pode cessar os comportamentos de cio durante um tempo, mas em breve reiniciará um novo cio.

Os machos, em resposta ao cio das fêmeas, procuram também fugir de casa e surgem frequentemente lutas entre eles. Caso o animal esteja permanentemente em casa, a sua urina toma um odor mais intenso e começa a fazer a marcação territorial através da eliminação de pequenas quantidades de urina com um odor muito intenso em diferentes locais da casa.

Gestação

Caso a gata seja coberta durante a altura em que apresenta o cio, será praticamente certo que irá ficar grávida.
A gata pode engravidar logo no 1º cio. A gravidez durará cerca de 62 dias. Nos últimos dias de gravidez, a gatinha apresentará os seios com leite e poderá ter tendência a criar um ninho, local por ela escolhido onde irá ter os bebés. Poderá tentar isolar-se um pouco mais e após o parto, poderá mostrar desagrado caso algum ser humano tente tocar nos seus filhotes.
A fase de gravidez e amamentação é particularmente desgastante para a gata. Por isso, deverá ser vigiada e alimentada com uma boa comida de gatinho durante a amamentação (uma vez que este alimento é mais energético do que a ração de adulto).

Castração do Gato e Esterilização da Gata

Com o evoluir das técnicas e o avanço dos estudos acerca da reprodução animal, verificou-se que caso não seja do interesse do proprietário fazer criação, as gatas deverão ser esterilizadas e os gatos devem ser castrados antes deles atingirem um ano de idade.
A esterilização da gata deverá ser feita entre os 6 e os 12 meses, antes mesmo de esta apresentar o primeiro cio. A esterilização precoce evita o desenvolvimento de tumores mamários, infecções uterinas, quistos nos ovários, prolapsos vaginais entre muitas outras doenças.
A castração evita o desenvolvimento de tumores da próstata, comportamentos agressivos de dominância, a tendência de fugir de casa na procura de uma companheira e a marcação territorial. Além disso, todos os animais que possuem diabetes, epilepsia e determinadas doenças de pele, deverão ser castrados/esterilizadas para diminuir a ocorrência de crises.
A esterilização não faz engordar o animal nem o faz perder a actividade física.
A sua alimentação não necessita de ser alterada e deve continuar a ser dada de acordo com as necessidades do seu animal.
NUNCA deve dar contraceptivos à sua gata. Estes aumentam a probabilidade de desenvolver quistos nos ovários, infecções uterinas e tumores mamários.

Algumas Doenças dos Gatinhos e Gatos

  • Rinotraqueíte Vírica Felina e Calicivirose Felina

A Rinotraqueíte Vírica Felina e a Calicivirose Felina são duas doenças que afectam principalmente o aparelho respiratório superior do gato. Estas duas doenças podem existir simultaneamente no mesmo animal.
Gatinhos, gatos adultos não vacinados e gatos que vivem em conjunto com mais gatos têm mais tendência a contrair estas doenças. Os gatos apanham a doença devido a entrarem em contacto com outros animais doentes ou com fezes contaminadas. ATENÇÃO: Muitos gatos que parecem saudáveis podem transmitir o vírus.
Os animais doentes começam a comer menos, ficam mais apáticos e apresentam febre e corrimento nasal e ocular.
O vírus entra através do nariz e/ou da boca do gato e começa a multiplicar-se. Se o animal não estiver vacinado, o vírus espalha-se por todo o corpo afectando entre outros órgãos o intestino e a medula óssea (osso).
Os sintomas variam com a idade do animal. Fêmeas grávidas normalmente abortam ou dão à luz gatinhos infectados que morrem antes de atingir as 4 semanas de idade. Gatinhos infectados de uma forma hiperaguda, morrem em 24 horas, demonstrando apenas depressão, dor e temperatura mais baixa que o normal. Em casos agudos o animal fica desidratado, vomita e tem dor de barriga.
O prognóstico desta doença é sempre muito reservado e muitas vezes, todo o tratamento efectuado não é suficiente para salvar o animal.

  • Panleucopenia felina

A panleucopenia felina pode ter como causa a infecção pelo parvovírus. Esta doença afecta principalmente gatos jovens, não vacinados provocando uma infecção que afecta todo o organismo, em especial o intestino, provocando falta de apetite, vómitos, diarreia e um mau estar generalizado. Este vírus afecta também a medula óssea, impedindo a produção adequada de defesas, provocando a panleucopenia (diminuição do nº de glóbulos brancos).
Esta doença é fatal em gatinhos.
A vacina existente no mercado contra esta doença é bastante eficaz. No entanto gatos não vacinados que contactem com outros gatos são particularmente sensíveis a esta doença.

  • Leucemia Felina Viral

A leucose ou leucemia felina é provocada por um vírus. Esta doença é altamente contagiosa e mortal.
Os gatos contraem a doença ao entrar em contacto com outros gatos doentes ou aparentemente saudáveis, mas portadores do vírus. A infecção dá-se através do contacto nariz/boca de um gato com o outro, ou através de saliva infectada. Também podem ser infectados gatinhos ainda dentro da barriga da mãe, mas o mais comum é serem infectados quando estão a ser amamentados.
Após entrar dentro do organismo, o vírus começa a multiplicar-se. Caso o organismo não possua defesas contra este vírus, ele terá a possibilidade de se espalhar pelo organismo atingindo a medula óssea (osso). Nesta altura, a maioria das secreções (principalmente a saliva) do gato possuem o vírus, podendo infectar outros gatos.
Este vírus provoca sintomas semelhantes a um tumor. Destrói as células da medula óssea que produzem o sangue e por isso o animal começa a desenvolver uma anemia e o n.º de células de defesa (glóbulos brancos) também diminui. Muitas vezes também é afectado o intestino provocando diarreias e as fêmeas terão abortos frequentes ou então têm gatinhos mortos.
Esta doença é muitas vezes comparada à SIDA dos humanos devido aos gatos possuidores deste vírus também ficarem imunodeprimidos, ou seja, ficam sem defesas para combater bactérias e outros agentes que os possam atacar.
Este vírus também pode dar origem a linfomas ou leucemias que podem ter diferentes manifestações.
Não existe tratamento eficaz contra o vírus da leucemia felina.
Actualmente, devido à inexistência de antivirais eficazes, faz-se apenas um tratamento de suporte para combater infecções bacterianas. Muitas vezes, é necessário fazer um suporte nutricional (alimentação e hidratação forçada).
Devido às consequências devastadoras da infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV) e da sua elevada existência entre os gatos, a prevenção é vital.
As medidas preventivas incluem:
a vacinação individual dos gatos para reduzir a tendência de estes ficar doente;
restringir a saída dos gatos para fora de casa, para evitar o contacto com o vírus.

  • Raiva

Na Europa, a maior parte dos animais e humanos são infectados devido ao contacto com raposas, cães ou gatos infectados.
Esta doença é transmitida através da inoculação de saliva (portadora de vírus) aquando a mordedura. Os primeiros sintomas podem demorar 15 a 60 dias a aparecer. No entanto, doze dias antes de aparecerem os primeiros sintomas, o animal já pode infectar outros animais.
É precisamente por causa disto que todos os animais que mordam uma pessoa deverão ficar isolados durante 15 dias. Se ao fim deste período o animal apresentar sintomas de raiva, as pessoas que contactaram com o animal começarão a ser imediatamente tratadas contra a Raiva.
O animal infectado com raiva irá apresentar transtornos nervosos, por vezes acompanhados por perturbações psíquicas (forma furiosa), motoras (forma paralítica: raiva muda) ou estados vegetativos. As perturbações psíquicas variam entre abatimento, constante agitação e perturbações de comportamento com desenvolvimento de agressividade. As perturbações motoras incluem paralisia da mandíbula inferior (que fica pendente), salivação excessiva, incapacidade de ladrar (raiva muda) ou paralisia dos membros (total, ou apenas dos posteriores). As perturbações vegetativas envolvem o estômago e o intestino.
Em qualquer uma das formas, a doença prolonga-se por 3 a 5 dias.
O prognóstico é fatal.
Por uma questão de prevenção e controlo, é obrigatória a vacinação de todos os animais de companhia contra a raiva. (Decreto lei n.º 314/2003, Portaria n.º 81/2002 de 24 de Janeiro com a alteração que lhe foi introduzida pela Portaria n.º899/2003, de 28 de Agosto.)

A Clínica Veterinária Animal Especial está ao seu dispor para esclarecer qualquer dúvida que possa surgir e prestar todos os cuidados ao seu animal.

Gratos pela sua preferência.

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